21 Dias de Ativismo: Tangará da Serra se une ao movimento mundial pelo fim da violência contra mulheres e meninas

Com programação ampliada e foco na realidade local, campanha possui o intuito de mobilizar 21 Dias de Ativismo pelo fim da Violência contra mulheres.

Tangará da Serra inicia mais uma edição dos 21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres, a partir do dia 17 de novembro até o dia 10 de dezembro, reafirmando o compromisso com uma agenda histórica que mobiliza mais de 180 países, em torno da prevenção e do enfrentamento à violência de gênero. A campanha, articulada no município pelo Conselho Municipal dos Direitos da Mulher (CMDM), possui neste ano um caráter regionalizado: além de seguir a pauta internacional, a programação foi adaptada às demandas locais e às prioridades aprovadas pelo Conselho, reafirmando a importância da participação coletiva na construção de uma sociedade mais segura e igualitária.

Uma agenda que ultrapassa fronteiras

O movimento surgiu em 1991, quando o Center for Women’s Global Leadership (CWGL), nos Estados Unidos, lançou a campanha mundial dos 16 Days of Activism Against Gender-Based Violence. A mobilização ocorre mundialmente entre 25 de novembro — Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres — e 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos. A escolha do período demonstra que a violência contra mulheres e meninas estabeleceu um marco importante: o reconhecimento de que a violência de gênero é uma violação profunda dos direitos humanos e exige responsabilidade permanente do governo e da sociedade.

No Brasil, com o passar dos anos, a mobilização campanha ganhou novas dimensões. A partir de 2003, e com maior intensidade desde 2007, o país adotou o formato dos 21 Dias de Ativismo, iniciando o ciclo em 20 de novembro, Dia da Consciência Negra. A inclusão desta data ressalta a relevância de enfrentar as desigualdades raciais e a violência que atinge, de forma mais intensa, as mulheres negras — realidade também apresentada em diversos municípios, incluindo Tangará da Serra. A versão brasileira também integra marcos importantes ao longo do período:

• 25 de novembro — Dia Internacional pelo Fim da Violência contra as Mulheres;

• 1º de dezembro — Dia Mundial de Combate à AIDS, reforçando debates sobre saúde, direitos sexuais e reprodutivos;

• 6 de dezembro — Dia Nacional de Mobilização dos Homens pelo Fim da Violência contra as Mulheres, inspirado no massacre de 1989 em Montreal, Canadá, e que simboliza o dever dos homens no enfrentamento à violência de gênero;

• 10 de dezembro — Dia Internacional dos Direitos Humanos.

Em Tangará da Serra, o CMDM menciona que o período é mais que uma campanha: é uma convocação para que toda a comunidade reflita, apoie e se mobilize. “Os 21 Dias de Ativismo são um chamado à responsabilidade coletiva. A violência contra a mulher não é um problema privado, mas social. Precisamos fortalecer a rede de proteção, incentivar a denúncia e promover uma cultura de respeito e igualdade”, afirma a presidente do Conselho, Gleysi Garcia.

Durante o período, o município desenvolve uma série de ações educativas e informativas, incluindo rodas de conversa, palestras, campanhas de conscientização, participação em eventos comunitários e divulgação dos serviços disponíveis na rede de atendimento à mulher. Entre eles, estão os canais de denúncia como: Ligue 180, Delegacia Especializada, Ministério Público, CRAS, CREAS e demais equipamentos da assistência social.

Os 21 Dias de Ativismo se consolidam como uma das principais agendas de enfrentamento à violência de gênero no calendário municipal. Com a participação ativa das conselheiras Marli Barboza e Danielly Salvador e de parceiros locais, Tangará da Serra reafirma seu compromisso com os direitos das mulheres e com a construção de uma sociedade mais justa, segura e igualitária. A inclusão brasileira desse marco não é apenas simbólica. Esta reflete em uma problemática concreta em que um dos fatores é que as mulheres negras (pretas) permanecem sendo as principais vítimas de violência doméstica, feminicídio e violações institucionais — uma realidade comprovada por levantamentos nacionais e presente também em municípios de porte médio como Tangará da Serra.

Uma rede que se articula para além de 21 dias

Com uma agenda estruturada, linguagem acessível, ações distribuídas ao longo de três semanas e a participação ativa de instituições parceiras, Tangará da Serra reafirma seu compromisso com o avanço dos direitos das mulheres e com a consolidação de uma cultura de respeito, dignidade e proteção.

Os 21 Dias de Ativismo, neste contexto, não é somente uma campanha anual, mas se consolidam como uma política contínua de mobilização social — um instrumento fundamental para que mais mulheres tenham acesso à informação, segurança e acolhimento, e para que toda a sociedade compreenda que a violência contra mulheres e meninas é uma adversidade social, que requer mobilizações de causas ativistas permanentes.


Beatriz Tavares

Compartilhar: