Modelo no estado, coleta seletiva de Tangará é apresentada em evento nacional

O sistema de coleta seletiva de Tangará da Serra foi tema de mesa redonda no 49º Congresso Nacional de Saneamento Básico da Assemae (Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento), semana passada (quinta, 09), no Centro de Eventos do Pantanal, em Cuiabá. O congresso reuniu, no geral, cerca de 2.000 pessoas vindas de todas as regiões do Brasil.

O diretor do Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (Samae) de Tangará da Serra, Wesley Lopes Torres, representou o município na mesa redonda ao lado do Consultor e Professor na área de saneamento básico Sérgio Antonio Gonçalves, do engenheiro do Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU) de Porto Alegre (RS) Geraldo Antônio Reichert, e do Vice-Presidente da Associação Brasileira de Resíduos Sólidos e Limpeza Pública (ABLP) Clóvis Benvenuto. Os trabalhos foram dirigidos pelo presidente da Assemae Regional Centro-Oeste e diretor técnico do Serviço de Saneamento Ambiental de Rondonópolis (Sanear), Hermes Ávila de Castro.

Dois exemplos de coleta seletiva foram apresentados mostrando a ação do poder público municipal com resultados importantes para a área, um em Tangará da Serra e outro em Porto Alegre (RS).

O projeto de reciclagem “Tangará Recicla” implantado pelo Samae com a cooperativa de catadores, a Coopertan, desde de 2007, foi aprimorado quando Wesley Lopes Torres assumiu a direção da autarquia. A separação do material é realizada nas residências e no comércio na área central da cidade e nos bairros. O município divide com a Coopertan a responsabilidade da coleta, 50% para cada um. A distribuição de cerca de 960 mil sacolas/ano para a população estimula a separação dos resíduos. Os 43 catadores da cooperativa recebem, em média, R$ 1.450,00 com a comercialização de 80 toneladas/mês, uma das melhores rendas do país com a atividade.

O Samae também desenvolve a partir deste ano, um trabalho permanente de Educação Ambiental junto às escolas e instituições da sociedade civil organizada. “Estamos ampliando o projeto em uma nova área para a cooperativa, instalando ecopontos, buscando recursos federais para financiar a aquisição de equipamentos para reciclagem de outros produtos. Este novo projeto busca incentivar o tangaraense para que seja como os japoneses e recolham o lixo dos locais que frequentam, como vimos na Copa do Mundo, em 2014”, ressaltou Wesley Lopes Torres.

Porto Alegre, por sua vez, conta com a coletiva seletiva há 29 anos. O engenheiro do DMLU, Geraldo Reichert, explicou que a coleta foi implantada inicialmente em um bairro, porta a porta com catadores organizados em cooperativas. Hoje são 18 unidades de triagem manual, com 650 cooperados. Mesmo assim, 95% dos resíduos sólidos vão para o aterro.

Longo caminho

Apesar das exigências da legislação brasileira, a destinação correta de resíduos sólidos e a logística reversa caminham a passos lentos no país.  “O manejo de resíduos sólidos não é prioridade. Os índices de reciclagem são pífios. O que fazer para que uma garrafa não seja jogada fora e gere renda?”, questionou o consultor sênior em saneamento, recursos hídricos e meio ambiente, Sérgio Gonçalves, como um dos debatedores do assunto.

O vice-presidente da Associação Brasileira de Resíduos Sólidos e Limpeza Pública (ABLP), Clóvis Benvenuto, disse que a missão da entidade é acabar com os lixões. Existem mais de 3 mil ainda no Brasil, segundo ele.  A prioridade número um da Política Nacional de Resíduos Sólidos é a não geração de resíduos. “Mesmo sendo uma prioridade, pouco se fala desta questão. Além disso, 75% dos brasileiros não separam os resíduos e, menos da metade, sabe que o alumínio, papel e garrafas pet pode ser reciclado. Precisamos de mais reciclagem. Sem ter lucro com isso não vamos resolver o problema”, destacou Benvenuto.

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